Governo Lula alugou navios para COP30 via empresa do sócio de Vorcaro.

Documento ao qual coluna teve acesso mostra que governo Lula alugou navios na COP30 por meio de empresa cujo dono é sócio de Daniel Vorcaro.
Por Gustavo Zucch/Secom/COP30
 
governo Lula contratou cruzeiros para a COP30 por meio de empresa cujo dono é um empresário apontado como sócio do banqueiro Daniel Vorcaro em um hotel de luxo.
 
Governo Lula alugou navios para COP30 via empresa do sócio de Vorcaro - destaque galeria

A Qualitours foi contratada pela Secretaria Especial da COP30, vinculada à Casa Civil, por meio da Embratur, a Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo. 

“Para tais fins [disponibilização de cabines em cruzeiros], a União, por meio da Secop, contratou os serviços da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur). A Embratur subcontratou a operadora turística Qualitours Agência de Viagens e Turismo Ltda., que, por sua vez, celebrou contratos com as empresas armadoras Costa Cruzeiros e MSC Cruzeiros”, diz o documento da Casa Civil.

Veja o documento da Casa Civil:

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Quem é o sócio de Vorcaro

Contratada pelo governo via Embratur, a Qualitours pertence ao empresário Marcelo Cohen. Ele é apontado como sócio de Vorcaro no hotel de luxo Botanique, localizado em Campos do Jordão (SP).

Diferentemente de Vorcaro, que costuma dizer que o hotel pertence à Prime You, empresa que também é dona dos jatinhos usados pelo banqueiro, Cohen já admitiu publicamente ser dono do Botanique.

Segundo reportagem do jornal Folha de S. Paulo, Cohen utilizou recursos de fundos, como o “B10” e do “TT”, ligados ao Master, para comprar outras empresas da holding. Entre elas, a Flytour e a Queensberry.

De acordo com a Folha, um RIF (relatório de inteligência financeira) sobre o Master apontou transação em espécie de R$ 6 milhões, em novembro de 2024, entre o banco de Vorcaro e a empresa de Cohen.

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O que diz o governo Lula

Em nota, a Embratur disse que a escolha da Qualitours se deu por meio de chamamento público e que a empresa “apresentou todos os documentos legalmente exigidos para atestar idoneidade e capacidade de execução do contrato”.

A agência ressaltou que não houve nenhuma participação do Banco Master no processo de contratação dos navios e que a “estruturação financeira da operação foi garantida pelo banco BTG Pactual, por meio da emissão de carta fiança”.

“O contrato entre Embratur e Qualitours já foi auditado pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Por decisão unânime, o plenário do TCU considerou a contratação regular. No Acórdão 756/2026, o tribunal considerou ‘a plausibilidade da fundamentação técnica, jurídica e estratégica para a decisão, bem como os estudos preliminares que a sustentaram’. Além disso, o TCU também atestou que o modelo adotado pela Embratur se mostrou ‘economicamente mais vantajoso em comparação à alternativa de afretamento direto’”, diz a nota da agência (veja a íntegra abaixo).

Em nota, a BeFly disse que o Master “atuou como instituição provedora de linhas de crédito contratadas entre 2021 e 2023 para apoiar parte do ciclo de aquisições da companhia” e que segue honrando seus compromissos “sem qualquer irregularidade”.

“A BeFly reitera que o Banco Master atuou como instituição provedora de linhas de crédito contratadas entre 2021 e 2023 para apoiar parte do ciclo de aquisições da companhia, em conjunto com recursos próprios gerados pela operação. Esses compromissos seguem sendo regularmente honrados. A companhia reitera sua operação sólida e autonomia financeira, sem conexão com qualquer irregularidade”, diz.

A Qualitours, parte da holding da BeFly, afirmou que foi contratada pela Embratur para operar os navios de hospedagem e que o processo foi “regular e compatível com as exigências técnicas do projeto”.

“A Qualitours informa que foi contratada pela Embratur para operar navios de hospedagem de apoio à COP, em processo regular e compatível com as exigências técnicas do projeto. A empresa reafirma a conformidade da contratação e dos serviços”, informou a empresa.

Confira a íntegra da nota da Embratur:

O Governo Federal, por meio da Secretaria Extraordinária para a COP30 e da Embratur, contratou dois navios de cruzeiro para atuarem como unidades temporárias de hospedagem durante a COP30, que foi realizada em Belém (PA), entre os dias 10 e 21 de novembro de 2025.

A seleção da empresa responsável pela operação e comercialização das cabines ocorreu por meio de chamamento público conduzido pela Embratur. A Qualitours apresentou todos os documentos legalmente exigidos para atestar idoneidade e capacidade de execução do contrato.

A estruturação financeira da operação foi garantida pelo banco BTG Pactual, por meio da emissão de carta fiança. Não houve qualquer participação do Banco Master no processo de contratação dos navios.

O contrato entre Embratur e Qualitours já foi auditado pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Por decisão unânime, o plenário do TCU considerou a contratação regular.

No acórdão 756/2026, o Tribunal considerou “a plausibilidade da fundamentação técnica, jurídica e estratégica para a decisão, bem como os estudos preliminares que a sustentaram”. Além disso, o TCU também atestou que o modelo adotado pela Embratur se mostrou “economicamente mais vantajoso em comparação à alternativa de afretamento direto”.

Por IGOR GADELHA

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