Artemis II: Nasa envia quatro astronautas em expedição lunar.

Veja os detalhes da missão.

Foguete Space Launch System (SLS) e a espaçonave Orion da missão Artemis II Foto: EFE/ Bill Ingalls /NASA

Em uma reminiscência dos tempos do programa Apollo, a missão Artemis II da Nasa enviará nesta quarta-feira (1°), quatro astronautas em uma expedição lunar. Eles irão percorrer milhares de quilômetros além da Lua, farão uma curva em U e retornarão em linha reta.

Nada de orbitar a Lua, nada de caminhada lunar – apenas uma rápida ida e volta com duração inferior a dez dias.

A Nasa promete mais pegadas na poeira lunar cinzenta, mas não antes de algumas missões de treinamento. O próximo voo de teste dos astronautas do programa Artemis, Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen, é o primeiro passo para, desta vez, colonizar a Lua.

TRIPULAÇÃO
Os astronautas do programa Artemis formam uma tripulação diversificada e internacional. A Lua está prestes a receber sua primeira mulher, sua primeira pessoa não branca e sua primeira pessoa não estadunidense.

Koch já detém o recorde de voo espacial individual mais longo realizado por uma mulher. Durante sua missão de 328 dias na Estação Espacial Internacional, entre 2019 e 2020, ela participou da primeira caminhada espacial totalmente feminina.

Glover, um piloto de testes da Marinha dos Estados Unidos, foi o primeiro astronauta negro a viver e trabalhar a bordo da estação espacial em 2020 e 2021. Ele também foi um dos primeiros astronautas a ser lançado com a SpaceX.

Hansen, da Agência Espacial Canadense, um ex-piloto de caça, é o único novato no espaço. Seu comandante é Wiseman, um capitão da Marinha aposentado que viveu a bordo da estação espacial em 2014 e posteriormente chefiou o corpo de astronautas da NASA. Suas idades variam de 47 a 50 anos.

SISTEMA DE LANÇAMENTO
O novo foguete Space Launch System da Nasa tem 98 metros (322 pés) de comprimento, sendo mais curto que o foguete Saturno V do programa Apollo, mas mais potente na decolagem graças a um par de propulsores laterais. No topo do foguete está a cápsula Orion, que transporta os astronautas.

Construído com motores e outras peças reaproveitadas de ônibus espaciais, o SLS utiliza o mesmo combustível – hidrogênio líquido – que os ônibus espaciais usavam. Vazamentos de hidrogênio repetidamente impediram os voos dos ônibus espaciais, bem como o primeiro teste do foguete SLS sem astronautas a bordo, em 2022.

Mais de três anos depois, a missão Artemis II sofreu os mesmos vazamentos de hidrogênio durante um teste de abastecimento em fevereiro, perdendo a primeira janela de lançamento. Uma repetição dos problemas com o fluxo de hélio adiou a missão para abril.

Após a decolagem, os astronautas passarão as primeiras 25 horas orbitando a Terra em uma órbita alta e assimétrica. Eles usarão o estágio superior separado como alvo, manobrando a cápsula Orion ao redor dele como prática de acoplamento para futuras missões à Lua. Em vez de sofisticados telêmetros, eles confiarão em seus olhos para calcular a distância, não se aproximando a menos de 10 metros (33 pés) do estágio.

– Às vezes, as coisas simples são as melhores – disse Wiseman.

Se tudo correr conforme o planejado, o motor principal da Orion impulsionará a tripulação até a Lua, a cerca de 393 mil quilômetros (244 mil milhas) de distância. Essa trajetória de retorno livre, que se tornou famosa na Apollo 13, depende da gravidade da Lua e da Terra, minimizando a necessidade de combustível.

No sexto dia de voo, a Orion atingirá seu ponto mais distante da Terra, navegando 8 mil quilômetros (5 mil milhas) além da Lua. Isso superará o recorde de distância da Apollo 13, tornando os astronautas do programa Artemis os viajantes mais remotos. Após emergir de trás da Lua, a tripulação retornará diretamente para casa com um pouso na água no décimo dia de voo – nove dias, uma hora e 46 minutos após o lançamento.

O QUE ESPERAR?
A tripulação da Artemis II poderá contemplar regiões nunca antes vistas do lado oculto da Lua – com a Lua aparecendo do tamanho de uma bola de basquete a um braço de distância durante a parte mais próxima da passagem de aproximadamente seis horas. Eles têm estudado mapas e imagens de satélite do lado oculto da Lua e antecipam uma verdadeira maratona de fotos.

Sua mentora lunar é a geóloga da Nasa Kelsey Young, que monitorará a passagem a partir do Centro de Controle da Missão em Houston.

– A Lua é um elemento que une as pessoas. O que estamos fazendo com esta missão vai aproximar um pouco mais esse sentimento de todos ao redor do mundo – disse ela.

Além de câmeras profissionais, eles levarão os smartphones mais modernos. O novo administrador da Nasa, Jared Isaacman, adicionou smartphones à missão para “inspirar” a captura de imagens.

Embora a Nasa e empresas privadas tenham se concentrado ao longo dos anos em alcançar o lado visível da Lua – o lado que está constantemente voltado para a Terra – somente a China conseguiu pousar módulos de pouso no lado oculto. Isso torna as observações dos astronautas sobre o lado oculto da Lua ainda mais valiosas para a Nasa.

RETORNO
Assim como o programa Apollo, a missão Artemis termina com um pouso na água, no Oceano Pacífico.

Todas as atenções estarão voltadas para o escudo térmico da Orion enquanto a cápsula atravessa a atmosfera. Essa é a parte da espaçonave que sofreu os maiores danos durante o voo de teste de 2022, com pedaços carbonizados arrancados. O escudo térmico está sendo reformulado para cápsulas futuras, mas mantém o projeto original da Artemis II.

A Nasa está limitando a exposição ao calor durante a reentrada, encurtando a descida atmosférica da cápsula. Navios de recuperação da Marinha ficarão posicionados na costa de San Diego enquanto a Orion aterrissa de paraquedas no oceano.

*AE

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