Caminhoneiros desistem de greve nacional após reunião em Brasília.
Sindicato dos Caminhoneiros de Santos planejavam 24 horas de paralização.

Representantes dos caminhoneiros anunciaram nesta quarta-feira (25) que não farão greve nacional após reunião com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, no Palácio do Planalto. A decisão foi comunicada à imprensa depois de o governo federal afirmar que atenderá à principal reivindicação da categoria: garantir o cumprimento do piso mínimo do frete.
O compromisso foi formalizado por meio de uma medida provisória editada pelo governo. O texto cria novas regras de fiscalização e prevê punições para empresas que pagarem valores abaixo da tabela do frete.
Representando a categoria, o presidente do Sindicato dos Caminhoneiros de Santos, Luciano Santos, disse que não há motivo para paralisação diante do acordo firmado com o governo.
– Quando se tem diálogo, quando se atende à categoria, não se faz greve. Greve a gente faz quando a gente perde, não quando a gente está ganhando. E nós não fazemos greve. Nós paramos o país. Porque greve é o celetista que faz.
Segundo ele, a decisão também levou em conta a disposição do governo em manter diálogo com os caminhoneiros. Santos afirmou ainda que o movimento não quer ser usado em disputas políticas.
Durante a coletiva, o ministro Guilherme Boulos afirmou que a posição das lideranças mostra responsabilidade do setor. Para ele, a paralisação perde sentido quando as principais pautas são atendidas.
– Você faz paralisação, greve, mobilização quando a sua pauta não é atendida. Quando a sua pauta é atendida, você segue a vida, lutando para ter mais avanço. E esse é o espírito que eu senti em todas as organizações, os representantes dos caminhoneiros na reunião de hoje.
Apesar de descartarem a greve neste momento, representantes da categoria disseram que a mobilização continuará no Congresso Nacional. A intenção é acompanhar a tramitação da medida provisória e pressionar deputados e senadores para que o texto não seja alterado.
– Ganhamos uma batalha. A guerra é logo ali na frente. É com nossos deputados. Vamos ver de que lado eles vão estar. Se eles vão estar do lado dos caminhoneiros, do povo brasileiro, ou das grandes empresas, grandes embarcadores.
MEDIDAS DO GOVERNO
A medida provisória estabelece mecanismos para reforçar o cumprimento do piso mínimo do frete. Entre os pontos previstos estão punições mais duras para empresas que descumprirem a tabela, incluindo suspensão cautelar de cinco a 40 dias após reincidência e possibilidade de cancelamento do RNTRC, registro obrigatório para transporte rodoviário de cargas.
O governo também prevê ampliar a fiscalização eletrônica para todos os fretes realizados no país, por meio do cruzamento de dados do Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais com informações das secretarias estaduais de Fazenda. Outra medida é o bloqueio da emissão do CIOT quando o valor do frete estiver abaixo do piso mínimo. A Agência Nacional de Transportes Terrestres pretende implementar esse sistema em até 30 dias.
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