Viana: “Em qualquer país sério, Moraes estaria afastado do cargo”.
Senador defende que manter ministro no posto pode comprometer as investigações sobre sua suposta ligação com o Master.

O senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPMI do INSS, avaliou que em “qualquer país sério do mundo” o ministro Alexandre de Moraes teria sido afastado de seu cargo no Supremo Tribunal Federal (STF) até que as investigações sobre sua suposta ligação com o escândalo do Banco Master fossem concluídas.
– Me preocupa, porque em qualquer país sério do mundo o ministro Alexandre de Moraes estaria afastado do cargo até que a investigação terminasse e nós determinássemos se ele tem culpa ou não em toda essa história – declarou.
– Porque a gente não pode também fazer uma pré-condenação. Mas ele, com o poder que tem como ministro, e que tem demonstrado que usa muitas vezes até, a meu ver, fora da Constituição, ele deveria estar fora do cargo para que essa investigação pudesse ser a mais isenta possível em relação a esse escândalo do Master – acrescentou.
Minutos antes, Viana confirmou ter checado oficialmente que o número com o qual o banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, trocou mensagens no dia de sua prisão em 17 de novembro do ano passado é o contato funcional do STF.
Ele afirmou que pretende oficiar a Corte para que ela esclareça com quem estava aquele número de telefone na data da conversa.
– O número que aparece ali na mensagem é o número funcional do Supremo. Cabe agora oficialmente ao Supremo, se nós tivermos essa condição na investigação, que seria o básico em uma investigação profunda, que o Supremo nos responda: com quem estava aquele número de telefone no momento em que o Vorcaro manda mensagem? Mas que é o número do STF, não há dúvida nenhuma. Eu já chequei oficialmente – garantiu.
Na mensagem citada por Viana, Vorcaro pergunta ao contato no STF “conseguiu bloquear?”, e recebe respostas que não são possíveis ler, porque foram enviadas em formato de visualização única.
Confira:
ENTENDA O ESQUEMA
Vorcaro está preso acusado de liderar um esquema de fraude financeira ligado ao Banco Master. As autoridades veem indícios de crimes como organização criminosa, corrupção, ameaça, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos.
Segundo as investigações, o esquema consistia na criação e comercialização de títulos de crédito sem lastro – ou seja, ativos e dívidas que não tinham garantia real ou sequer existiam – usados para inflar artificialmente o patrimônio do Banco Master. O objetivo era fazer a instituição parecer mais sólida e lucrativa do que realmente era, esconder fragilidades financeiras e continuar captando dinheiro no mercado.
Com esse patrimônio inflado, o banco passou a oferecer investimentos com rendimentos até 40% superiores aos praticados no mercado, o que atraía investidores em busca de retornos mais altos. Segundo as investigações, porém, o banco não tinha base financeira real para sustentar esses pagamentos. O esquema começou a ruir quando o Banco Central do Brasil identificou inconsistências nos balanços da instituição e determinou a liquidação extrajudicial do Master.
Por Thamirys Andrade
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