Suspeito após estupro coletivo: “Mãe de alguém teve que chorar”.
Jovens debocharam após cometer o crime.

*Alerta: o texto a seguir aborda temas sensíveis como violência contra a mulher, violência doméstica e estupro. Se você se identifica ou conhece alguém que está passando por esse tipo de problema, ligue 180 e denuncie.
– A mãe de alguém teve que chorar hoje, porque as nossas mães… – um deles ironizou.
Os quatro suspeitos maiores de idade foram presos na semana passada. O menor foi apreendido. A reportagem tenta contato com a defesa dos investigados. O espaço segue aberto para manifestações.
Em entrevista ao programa da TV Globo, a avó da adolescente, que tinha sua guarda, conta que a neta chegou a pedir desculpas pelo que tinha acontecido:
– Ela me abraçou e falou: “Mãe, desculpa”. Eu falei: “Desculpa de quê? Você não teve culpa”.
Quando levantou o vestido da neta, ela viu o corpo com hematomas.
– Não era um roxo, era um roxo preto, em várias partes. Fiquei apavorada! – acrescentou.
A avó relata que só depois soube que eram vários agressores.
– Aí, quando ela relatou a quantidade de pessoas, eu entendi.
Segundo o relato, a jovem se negava e pedia a eles que parassem, mas não era atendida.
– Ela pediu para ir embora, ela não queria ficar mais, e quando ela pediu que parassem, ela apanhou. Eles subiram na cama e chutaram ela até cair da cama. E continuaram chutando – descreve.
Ainda segundo a avó, o menor que levou a jovem ao apartamento a ameaçou dizendo que, se contasse alguma coisa, ele pegaria também a irmã dela, que tem apenas 12 anos.
“PRECISO DE AJUDA AGORA”
O crime aconteceu na noite de 31 de janeiro. A estudante foi convidada ao apartamento por um colega de escola, um menor de 17 anos, com quem já havia se relacionado. O local é de propriedade da família de um dos suspeitos. Imagens de câmeras mostram três dos cinco jovens entrando no prédio às 19h24. Um minuto depois, o menor de idade chega acompanhado da garota.
Conforme o delegado Ângelo Lages, da 12ª Delegacia de Polícia de Copacabana, que está à frente da investigação, o estupro durou cerca de uma hora. Depois que a jovem entrou no apartamento e foi para o quarto com o adolescente, eles invadiram o local e trancaram a porta. O adolescente tentava convencê-la a ter relações com os demais, porém ela se negava.
O relato da vítima, condizente com os resultados dos exames, segundo o policial, indicam que ela foi imobilizada e atacada pelos cinco rapazes. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) aponta ferimentos nas partes íntimas, hematomas nas costas e nos glúteos, e suspeita de fratura de costela. Depois do ataque, a garota enviou uma mensagem de celular para o irmão.
– Preciso de ajuda agora, é sério. Eu acho que fui estuprada.
OUTROS CASOS
O delegado Lages confirmou que outros casos de crimes sexuais envolvendo o mesmo grupo estão sendo investigados.
– Em relação a outras possíveis vítimas, vamos tentar avançar com as investigações a partir de agora – disse, nesta segunda-feira (9).
Após o caso ter se tornado público, outras vítimas procuraram a polícia. A mãe de uma delas relatou que a filha foi violentada por dois deles quando tinha 14 anos. Atualmente, a possível vítima está com 17 anos e já prestou depoimento. Outra jovem, hoje maior de idade, acusa um dos rapazes de tê-la obrigado a fazer sexo oral nele durante uma festa.
Na última sexta (6), o menor que é considerado pela polícia o “mentor” do estupro se entregou na 54ª Delegacia de Polícia de Belford Roxo. Os outros quatro envolvidos, maiores de idade, já tinham sido presos durante a semana passada. Ele vão responder por estupro coletivo qualificado pelo fato da vítima ser menor de 18 anos. Já o menor responderá por ato infracional análogo ao estupro coletivo qualificado.
*AE
