Após escolha de novo líder, Irã ataca Israel e aliados dos EUA.
Postura mostra pouca disposição iraniana de desescalar o conflito.

Após a escolha do aiatolá Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei, como novo líder supremo, neste domingo (8), o Irã lançou uma nova leva de mísseis contra Israel e vizinhos aliados dos Estados Unidos no Oriente Médio, mostrando pouca disposição de desescalar o conflito. Em paralelo, o governo americano determinou a evacuação de sua embaixada na Arábia Saudita.
Explosões foram ouvidas em Doha e o Ministério da Defesa do Catar informou se tratar de um ataques com mísseis contra o país nesta segunda-feira (9), horário local. Já nos Emirados Árabes, um incêndio foi registrado em uma instalação petrolífera após um ataque em Fujairah.
O Kuwait também apontou estar trabalhando para repelir ataques com drones e mísseis. Já no Bahrein, um ataque com drone iraniano deixou 32 civis feridos, segundo o Ministério da Saúde do país. O disparo da primeira salva de mísseis contra Israel após a escolha do novo líder supremo foi anunciado pela rádio e televisão estatal Irib.
– Os mísseis defensivos iranianos respondem ao terceiro guia da República Islâmica – indicou a Irib no Telegram, mostrando o corpo de um projétil marcado com a inscrição “às suas ordens, Seyyed Mojtaba”, uma referência religiosa xiita.
Enquanto isso, o serviço de emergência de Israel confirmou que pelo menos uma mulher ficou ferida por destroços lançados pelo vento na cidade de Rishon LeZion, no centro do país nesta segunda. Ela se encontra-se em condição moderada. O serviço de emergência Magen David Adom acrescentou que prestou atendimento médico à mulher no local.
ESVAZIAMENTO DE EMBAIXADA
Os Estados Unidos ordenaram na noite deste domingo a saída do pessoal da sua embaixada na Arábia Saudita, enquanto o Irã ataca este reino do Golfo em retaliação pela ofensiva de Washington e Israel.
O Departamento de Estado indicou em um aviso de viagem que havia “ordenado que funcionários do governo americano que não fossem de emergência e familiares de funcionários do governo americano deixassem a Arábia Saudita devido aos riscos à sua segurança”.
A ordem reflete os temores persistentes sobre os ataques do Irã, em um momento em que o presidente Donald Trump avisa que está pronto para continuar a guerra por semanas e Teerã se diz preparada para responder.
Os Estados Unidos já haviam permitido a saída de funcionários não essenciais, mas não haviam exigido que o fizessem. O Departamento de Estado também informou que mantém o aviso aos americanos para “reconsiderarem viajar” para a Arábia Saudita, sem desaconselhar todas as viagens ao reino.
Drones atingiram a embaixada dos Estados Unidos em Riad na semana passada e também causaram danos às embaixadas americanas no Kuwait e nos Emirados Árabes Unidos. A Arábia Saudita informou no domingo que duas pessoas morreram e 12 ficaram feridas quando um projétil caiu na província de Al Kharj, a sudeste de Riad.
CAPITAL IRANIANA SOB FOGO
Mais cedo, várias explosões foram ouvidas em várias partes da capital iraniana, segundo jornalistas da AFP. Não ficou imediatamente claro o que foi alvo dos ataques, com nuvens de fumaça ainda cobrindo o horizonte após ataques noturnos a depósitos de petróleo em Teerã e arredores.
O exército israelense afirmou ter lançado uma série de ataques contra a “infraestrutura do regime” no centro do Irã nesta segunda, o primeiro anúncio desse tipo desde que a república islâmica nomeou um novo líder supremo.
As forças israelenses “iniciaram uma nova onda de ataques contra a infraestrutura do regime terrorista iraniano no centro do Irã”, disseram os militares em um breve comunicado, pouco depois de anunciarem ataques contra o grupo terrorista Hezbollah, apoiado pelo Irã, no Líbano.
Enquanto isso, o Hezbollah afirmou estar enfrentando as forças israelenses que pousaram durante a madrugada no leste do Líbano, em helicópteros que cruzaram a fronteira com a Síria.
Duas fontes do grupo disseram à AFP, sob condição de anonimato, que um helicóptero israelense na área foi abatido pelo grupo. Não há confirmação por parte dos israelenses, que, porém, afirmam terem feito ataques a alvos do grupo terrorista em Beirute.
*AE
