Coreia: Ex-presidente que impôs lei marcial recebe prisão perpétua.
Yoon Suk-yeol foi considerado culpado de insurreição por sua imposição fracassada da lei marcial no final de 2024.

Um tribunal da Coreia do Sul condenou, nesta quinta-feira (19), à prisão perpétua o ex-presidente Yoon Suk-yeol, ao considerá-lo culpado de insurreição por sua imposição fracassada da lei marcial no final de 2024, a qual desencadeou uma das crises institucionais mais profundas na história democrática do país asiático.Na audiência presidida pelo juiz Jee Kui-youn, o Tribunal do Distrito Central de Seul qualificou como “insurreição” a implementação da lei marcial por Yoon, que tentou paralisar a Assembleia Nacional ao enviar o Exército e forças de choque ao Parlamento após o decreto.
O tribunal considerou que o que acabou sendo um estado de exceção de apenas cerca de seis horas tinha o propósito de “subverter a Constituição”, ao obstruir as instituições constitucionais e minar os valores democráticos fundamentais. Dessa forma, a Corte não sentenciou Yoon à pena de morte, como havia solicitado o Ministério Público do país, onde existe uma moratória de fato sobre essa pena.
Além de Yoon, o ex-ministro da Defesa, Kim Yong-hyun, também foi sentenciado hoje a 30 anos de prisão. As condenações se somam às proferidas anteriormente contra o ex-primeiro-ministro Han Duck-soo, condenado a 23 anos de prisão, e contra o ex-ministro do Interior Lee Sang-min, a 7 anos, por seus papéis na implementação do estado de exceção.
Yoon, atualmente na prisão, declarou a lei marcial na noite de 3 de dezembro de 2024, um decreto que foi bloqueado pelo Parlamento poucas horas depois. O ex-líder foi destituído em abril do ano passado pelo Tribunal Constitucional, que considerou que não havia indícios de uma situação de emergência que justificasse o decreto.
Além da prisão perpétua desta quinta, o ex-presidente já havia sido sentenciado a cinco anos de prisão no último mês de janeiro por obstrução de justiça, em um dos quatro casos judiciais relacionados à lei marcial apresentados contra ele. Milhares de manifestantes a favor e contra o ex-presidente, alguns desses últimos em lágrimas após ouvir a sentença, concentraram-se nos arredores do tribunal.
A possibilidade de que se repita um incidente semelhante ao de 19 de janeiro do ano passado, quando seguidores de Yoon invadiram o Tribunal do Distrito Ocidental de Seul em rejeição à decisão de estender sua detenção na época, despertou a preocupação das autoridades.
*EFE
