Delegada levou namorado do PCC à posse na sede do governo de SP.
Layla Ayub foi presa por suspeita de ter favorecido facção criminosa em sua atuação.

Presa nesta sexta-feira (16) em sua casa na Zona Oeste de São Paulo, a delegada Layla Ayub é suspeita de ter se infiltrado na Polícia Civil para atender aos interesses do crime organizado, em especial da facção Primeiro Comando da Capital (PCC). Um detalhe do caso, porém, chama a atenção: ela levou o namorado, que é ligado ao PCC, para sua cerimônia de posse no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.
As investigações que resultaram na prisão de Layla também apontam que ela e Jardel passaram a residir juntos em São Paulo após a posse da delegada, período em que ela frequentava o curso de formação da carreira na Academia da Polícia Civil. Há também indícios de que o casal teria adquirido uma padaria na Zona Leste da capital paulista pouco depois da mudança para lavar dinheiro do crime organizado.
– De fato, se comprovado que o PCC arregimentou a investigada para passar em um concurso público de delegada de Polícia, sobretudo no Estado mais populoso e com o maior quadro de policiais do país, pode-se afirmar, sem qualquer dúvida, que, se já não nos tornamos um narcoestado, estamos a poucos passos disso – afirmou o juiz, na decisão.
O corregedor geral da Polícia Civil, João Batista Palma Beolchi, disse nesta sexta, em coletiva, que a investigação policial será extensa e irá comprovar se ela de fato prestou concurso a mando do PCC.
– Realmente se trata de uma investigação. Ela que vai nos mostrar a real amplitude do nível de comprometimento dessa delegada. A investigação procede justamente para investigar essa dúvida. Mas há essa possibilidade – declarou.
*AE
