Diretor do Dnit que usa tornozeleira pede exoneração após reportagem.
Marcos de Brito é investigado por participar de esquema de desvio de dinheiro de aposentados. Ele usa tornozeleira eletrônica desde dezembro.
O diretor de Finanças do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Marcos de Brito Campos Júnior, pediu demissão do cargo ao Ministério dos Transportes nesta sexta-feira (9/1).
Marcos é acusado de integrar um esquema de desvio de recursos de aposentados do INSS e, há 22 dias, cumpre suas atividades usando tornozeleira eletrônica. Ele teria sido um dos servidores responsáveis por auxiliar Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, durante sua gestão como superintendente do INSS no Nordeste.
A exoneração foi confirmado por servidores do Ministério dos Transportes. Segundo apurado pela Coluna, Marcos tem afirmado que pretende deixar a diretoria do Dnit para se dedicar integralmente à sua defesa. Com a exoneração, ele deverá abrir mão do salário de R$ 23 mil.
Segundo a Polícia Federal, o diretor financeiro do Dnit estaria entre “os agentes centrais da engrenagem criminosa”, atuando para viabilizar o fluxo de descontos associativos fraudulentos diretamente na folha de pagamento de aposentados.
De acordo com a Polícia Federal, “o recebimento de valores por parte de Marcos Brito, sob determinação de Antonio Camilo, o insere entre os agentes centrais da engrenagem criminosa, sendo indispensável à obtenção, circulação e aproveitamento dos proveitos ilícitos”.
A PF chegou a pedir a prisão preventiva do servidor, mas a solicitação foi negada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça.
A coluna buscou contato com Marcos por meio de seu gabinete, mas foi informada de que o servidor está de férias e retornará a Brasília no dia 20 de janeiro. O Dnit também foi procurado pelo menos três vezes. A coluna aguarda manifestação.
O que é o Dnit
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes é a autarquia responsável por implementar a política de infraestrutura de transportes terrestres e aquaviários do país, e tem orçamento de R$ 11 bilhões para este ano.
O órgão atua como gestor e executor, sob a jurisdição do Ministério dos Transportes, das vias navegáveis, ferrovias e rodovias federais, além de instalações de transbordo e portos fluviais e lacustres.
Historicamente, o Dnit é controlado pelo Centrão e já foi alvo de inúmeras investigações envolvendo esquemas de corrupção.
Por Valentina Moreira/Andreza Matais
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