Em telefonema, Gustavo Petro diz a Trump que não é traficante.
Presidente da Colômbia também mostrou números de combate às drogas em seu governo.

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou, nesta quarta-feira (7), em uma conversa telefônica com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que não é narcotraficante e lhe apresentou os números de seu governo na luta contra as drogas.– Tive que lançar os números, poucos, os mesmos que tenho repetido aqui sobre por que sou acusado [de ser narcotraficante] se estou há 20 anos arriscando minha vida, lutando contra mafiosos de grande poder e políticos aliados a eles – disse Petro a apoiadores em uma manifestação “em defesa da soberania” na Praça de Bolívar, em Bogotá.
O mandatário também contou a Trump sobre o trabalho realizado com o governo venezuelano para enfrentar o narcotráfico.
Petro é um crítico ferrenho das operações contra o narcotráfico dos Estados Unidos no Mar do Caribe e no Pacífico oriental, nas quais foram afundadas ao menos 21 lanchas supostamente carregadas com drogas e nas quais ao menos 82 tripulantes morreram.
Essa postura deteriorou sua relação com os EUA, que em setembro retiraram seu visto americano. Depois, o Departamento do Tesouro o incluiu, junto com outras pessoas de seu entorno, na lista do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), conhecida como Lista Clinton, após Trump acusá-lo de ser um “líder do narcotráfico”.
Nesse sentido, Petro defendeu nesta quarta em telefonema com Trump que durante seu governo, que começou em 7 de agosto de 2022 e termina neste ano, aumentaram “as apreensões de drogas” e que, quando deixar o cargo, o saldo será de 3.500 toneladas apreendidas.
O presidente colombiano pediu a conversa com Trump em meio a uma guerra verbal com o presidente norte-americano, que no último domingo (4) comentou a jornalistas a bordo do avião presidencial Air Force One que, assim como a Venezuela, “a Colômbia também está muito doente” e é “governada por um homem doente que gosta de fabricar cocaína e vendê-la aos Estados Unidos, e isso é algo que não vai continuar fazendo isso por muito tempo”.
Ao ser questionado se isso significa que poderia haver uma operação na Colômbia como a que foi feita na Venezuela contra Maduro, ele respondeu que é algo que lhe soa bem.
O presidente colombiano reagiu com outra ameaça, a de voltar a pegar em armas se for necessário, como em seus anos de guerrilheiro do grupo M-19, para defender a soberania do que chamou de “ameaça ilegítima” de Trump.
*EFE
