Hamas faz execuções públicas e briga com facções pelo poder.

Grupo terrorista se aproveita do vácuo de poder gerado pelo recuo do Exército israelense em Gaza.

Vídeos de execuções públicas foram divulgadas em redes ligadas ao Hamas Foto: Frame de vídeo / X

O grupo terrorista palestino Hamas tem usado o cessar-fogo estabelecido, pela primeira fase do acordo de paz e o processo de retirada das tropas israelenses, para buscar restabelecer seu controle na Faixa de Gaza. Desde a assinatura do tratado, a organização vem entrando em confronto com facções palestinas rivais em diversas partes do enclave, evidenciando uma disputa de poder na região.

Nesse cenário, o Hamas tem recorrido a demonstrações de força para reafirmar sua autoridade. Em diferentes cidades de Gaza, homens encapuzados, alguns dos quais com faixas verdes – símbolo do grupo -, realizaram execuções em praças públicas diante de dezenas de testemunhas. As cenas, registradas em vídeo, foram divulgadas em perfis oficiais ligados ao Hamas.

 

Segundo informações da Agence France-Presse (AFP), o grupo terrorista iniciou, logo após a assinatura do acordo de paz, uma operação a fim de reocupar as zonas de onde as Forças de Defesa de Israel (FDI) estão se retirando. A ação inclui a mobilização de 7 mil combatentes das Brigadas Izzedine al-Qassam, braço armado da organização.

Na prática, porém, combatentes do Hamas têm se envolvido em choques diretos com outros grupos armados.

Nesta terça-feira (14), confrontos foram registrados no distrito de Shejaiya, no leste da Cidade de Gaza. No fim de semana anterior, o grupo entrou em conflito com o clã Dughmush, resultando em mais de 20 mortos.

Segundo a emissora al-Aqsa, ligada ao próprio Hamas, as execuções públicas foram justificadas como punição a criminosos e supostos espiões a serviço de Israel.

Sem uma autoridade formal no comando da Faixa de Gaza, a população permanece vulnerável — não apenas às disputas de poder entre facções, mas também à ação de ladrões e outros criminosos. O plano de paz proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prevê a formação de um governo palestino tecnocrático para administrar o território.

No entanto, a implementação do projeto ainda é incerta e depende do avanço das etapas iniciais, que incluem a devolução dos corpos de todos os reféns mortos no enclave e esbarra na dificuldade de localizar os restos mortais.

Veja o que diz o plano de Donald Trump para a governança em Gaza:
Gaza será governada sob a governança transitória temporária de um comitê palestino tecnocrata e apolítico, responsável pela administração diária dos serviços públicos e municípios para o povo em Gaza.

Este órgão estabelecerá o quadro e lidará com o financiamento para o redesenvolvimento de Gaza até que a Autoridade Palestina tenha completado seu programa de reforma, conforme delineado em várias propostas, incluindo o plano de paz do presidente Trump em 2020 e a proposta Franco-Saudita, e possa retomar o controle de Gaza de forma segura e eficaz. Este órgão convocará os melhores padrões internacionais para criar uma governança moderna e eficiente que sirva ao povo de Gaza e seja propícia a atrair investimentos.

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