Defesa de Filipe Martins envia alegações finais ao STF.
Também foram enviadas as alegações finais de Marcelo Câmara, coronel do Exército.

As defesas dos réus Filipe Martins e Marcelo Câmara na ação penal do suposto golpe de Estado apresentaram neste sábado (11) as suas alegações finais após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes recuar da decisão de destituir os advogados.
Na última quinta-feira (9), o ministro-relator do processo que apura uma suposta tentativa de golpe ocorrida entre 2022 e 2023 decidiu destituir os advogados Jeffrey Chiquini e Eduardo Kuntz das defesas dos seus clientes, respectivamente Martins e Câmara, sob o argumento de que teriam atuado de forma “inusitada” e com “nítido caráter procrastinatório” ao deixar de apresentar as alegações finais no prazo.
Dentre os pedidos feitos pelos dois advogados constam a declaração de impedimento de Moraes como relator dos caso por falta de imparcialidade, a incompetência do STF para julgar o processo e a anulação da ação penal por cerceamento de defesa.
Essas questões preliminares já haviam sido apresentadas pelos advogados dos réus do núcleo crucial da suposta trama golpista e foram rejeitadas integralmente pela maioria da Primeira Turma do STF.
Ao pedir a absolvição de Martins, o advogado Chiquini argumentou que a prisão do seu cliente “comprometeu a lisura da investigação e violou o devido processo legal, contaminando toda a persecução penal”.
– A prisão do defendente não serviu a um propósito legítimo, mas sim como um mecanismo de coerção ilegal, o que impõe sua anulação e o reconhecimento da ilegitimidade da persecução penal instaurada, sendo verdadeiro imperativo moral a sua absolvição – destacou a defesa, apontando que a Procuradoria-Geral da República (PGR) não apresentou provas do envolvimento do seu cliente na suposta tentativa de golpe.
O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência, citou Martins em sua delação. Afirmou que o então assessor foi o responsável por entregar a Bolsonaro uma minuta golpista, que previa a prisão de autoridades como o ministro Alexandre de Moraes e a anulação do resultado da eleição.
A defesa do coronel de Exército Marcelo Câmara também afirmou que não foram apresentadas provas pela PGR do envolvimento do seu cliente nos crimes. O militar está preso preventivamente desde junho deste ano por ter tentado acessar informações sigilosas sobre a delação de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência da República.
– Ele foi denunciado e está sendo processado única e exclusivamente por supostamente fazer um monitoramento, fato este exaustivamente esclarecido no decorrer da instrução penal – disse Kutnz, que também contestou a delação de Mauro Cid e as conversas com o delator que muniram a acusação da PGR.
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