Autoridades israelenses, americanas e representantes do Hamas já estão no Egito. Eles vão tentar negociar o plano de paz proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A proposta, com 20 pontos, visa encerrar a guerra em Gaza e garantir a libertação dos reféns. O enviado americano Steve Witkoff e Jared Kushner, genro de Trump, também estão previstos no Egito para as negociações.

O Hamas declarou neste domingo(5) que quer alcançar um acordo e começar uma troca de prisioneiros  “imediatamente, antes da negociação no Egito com Israel sobre o plano de Donald Trump para terminar a guerra em Gaza.

“O Hamas está muito interessado em chegar a um acordo para pôr fim à guerra e iniciar imediatamente o processo de troca de prisioneiros”, declarou um membro do alto escalão do grupo terrorista que governa Gaza desde 2007.

Avanços no plano de paz

O Hamas aceitou na sexta-feira (3), partes da proposta de Trump, e no mesmo dia o gabinete de Netanyahu afirmou que “Israel está preparado” para a implementação imediata da primeira fase do plano.

O Hamas concordou também com uma das exigências vistas como mais trabalhosas do plano: aceitou abrir mão do poder na Faixa de Gaza e entregá-lo a um governo tecnocrático, como queria Trump. Mas o grupo terrorista afirma querer participar da “estrutura nacional palestina” que ajudará a formar esse governo, algo que não está previsto no plano de Trump.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, diz que espera o retorno de todos os reféns na Faixa de Gaza nos próximos dias.

Manhã com novas explosões

Mas neste domingo (5), Gaza amanheceu com novas explosões, segundo agências de notícias. Autoridades da defesa civil palestina, controlada pelo grupo terrorista Hamas, afirmaram que ao menos 57 pessoas morreram.

Aviões e tanques de Israel atacaram áreas na Faixa de Gaza e destruíram vários prédios residenciais, afirmaram testemunhas ouvidas pela agência Reuters.

Testemunhas afirmaram que, neste domingo, aviões de Israel intensificaram os ataques contra alvos em toda a cidade de Gaza. De acordo com a agência, as ações aconteceram após uma noite tensa no sábado, quando drones lançaram granadas em telhados de prédios residenciais e tropas explodiram veículos carregados de explosivos, demolindo dezenas de casas.

“Bombas por toda a parte”

“Onde está Trump em tudo isso?”, questionou o morador de Gaza Rami Mohammad-Ali, à Reuters. “As explosões não param, os drones jogam bombas por toda parte, como se nada tivesse acontecido. Onde está a trégua de que Trump nos falou?”.

Ainda assim, em uma postagem, o presidente norte-americano agradeceu a Israel por ter suspendido temporariamente os bombardeios e afirmou: “Não tolerarei atrasos, que muitos acreditam que ocorrerão, nem qualquer resultado que coloque Gaza novamente como uma ameaça. Vamos resolver isso, rápido. Todos serão tratados com justiça”.

“Chance de vitória”

Em entrevista ao site de notícias Axios, Trump disse que ligou para Netanyahu e disse ao primeiro-ministro israelense que esta é “a chance dele de vitória”. O presidente americano afirmou ainda que Netanyahu “não tem outra escolha”.

Netanyahu disse ainda que, na segunda fase, o Hamas será desarmado e a Faixa de Gaza desmilitarizada. “Isso acontecerá ou por meios diplomáticos, segundo o plano de Trump, ou militarmente, por nós”, afirmou o primeiro-ministro.

Na sexta, o Hamas deu sinal positivo para dois pontos fundamentais da iniciativa americana: a libertação de todos os reféns e a transferência do poder na região para um conselho palestino, formado por nomes independentes e técnicos. Apesar do avanço, ainda existem divergências, e o grupo terrorista agora tenta negociar outros pontos do plano.

O Hamas quer participar da discussão sobre o futuro governo, mas a proposta norte-americana prevê que eles não terão espaço. Um representante do grupo terrorista também disse em uma entrevista à Al Jazeera que eles só vão se desarmar depois de uma desocupação de Israel. Mas o acordo estabelece que o grupo terrorista deve se desarmar imediatamente e que a saída de Israel será feita em fases.

O primeiro-ministro israelense afirmou, em um pronunciamento na TV, que o único motivo pelo qual o Hamas está disposto a libertar todos os reféns é a pressão militar e diplomática. Ele disse que espera o retorno de todos os reféns “nos próximos dias”.

Ele também agradeceu ao apoio de Trump. “Nossa intenção, e a intenção de nossos amigos americanos, é concluir as negociações em questão de dias”, anunciou. Ao mesmo tempo, alertou que não abrirá mão de desarmar o Hamas “seja por via diplomática, seja por via militar”.

Ataque de 7 de outubro

A Guerra em Gaza começou após o ataque de 7 de outubro, que provocou a morte de 1.219 pessoas em Israel, a maioria civis, de acordo com um balanço elaborado pela AFP com base em dados oficiais.

Durante este ataque sem precedentes, os terroristas sequestraram 251 pessoas. Dessas, 47 permanecem cativas em Gaza, e o exército israelense declarou que 25 estão mortas.

(Com Estadão Conteúdo e AFP)

O TEMPO