“Até breve, meu filho”, diz pai em enterro de vascaíno morto por flamenguistas.

Sob forte comoção, Eumar Vaz, 34 anos, foi velado nesta terça-feira (23/9) no cemitério Campo da Esperança, em Brazlândia.

BRENO ESAKI/METRÓPOLES
 
Familiares, amigos e companheiros de torcida se despediram Eumar Vaz, 34 anos, vascaíno brutalmente agredido e morto a facadas por flamenguistas, no último domingo (21/9), em um ônibus coletivo do Distrito Federal.
 

“Meu filho, eu te amo. Foi linda essa homenagem. Em breve nos veremos, meu filho”, disse José Eumar, ao fechar o caixão.

Conhecido como Dark pelos amigos e apelidado de Júnior pela família, Eumar Vaz foi velado sob as lágrimas e o carinho de cerca de 100 pessoas. O velório, realizado no Campo da Esperança de Brazlândia, foi embalado pela bateria da Força Jovem do Vasco (FJV), torcida organizada da qual Eumar fazia parte.

 
 

“É uma homenagem mais que merecida. Aqui está tudo que ele gosta: os irmãos, o Vasco, a bateria da Força Jovem… a gente tá aqui fazendo nosso papel”, disse o torcedor Douglas Eduardo, 30, amigo de Eumar há quase uma década.

“Eu vi o Eumar entrar na torcida, há 9, 10 anos. Ali, começou uma amizade, naquela coisa que ambientar o mais novo, estar ali todo jogo”, relembra Eduardo. “Ele era um irmão, estava a postos para tudo que precisasse dele.”

Família pede justiça

A esteticista Kellyane Abadia, 40, espera uma ação enérgica das autoridades para a prisão dos envolvidos no crime que tirou a vida do irmão. “Peço encarecidamente às autoridades que façam tudo que estiver ao alcance para identificar esses criminosos”, diz.

O crime

Um vídeo mostra o momento em que Eumar é atacado e tem a camisa rasgada à força por um grupo do time rival dentro do ônibus.

Ao fim da confusão, enquanto os torcedores fugiam do local, um deles grita ao vascaíno “aqui é a jovem, desgraça”, referindo-se à organizada do Flamengo. No vídeo, é possível observar um dos torcedores com a camisa da organizada, e outro com um pedaço de pau.

O ônibus em que Eumar foi esfaqueado ficou com rastros de sangue na parte da frente, em um cenário de terror. O vascaíno pegou um ônibus da linha 812.1 da empresa Urbi, com itinerário da QNQ/QNR, rumo ao Recanto das Emas. Cerca de 20 flamenguistas estavam no veículo.

 

Quando o ônibus seguiu viagem, um dos flamenguistas teria gritado: “O Flamengo não ganhou, temos que bater em alguém”. Algumas paradas após o grupo embarcar, Eumar teria entrado no ônibus sem camisa; o motorista solicitou que o passageiro se vestisse, e o vascaíno atendeu ao pedido, colocando, então, uma vestimenta do Vasco.

Segundo o testemunho do motorista, ao perceberem a presença do vascaíno, os agressores gritaram repetidamente para que ele tirasse a camisa. Após a recusa de Eumar, a situação escalou para uma briga, com troca de socos. Naquele momento, o ônibus parou e, assim que as portas se abriram, os agressores que estavam na parte traseira desembarcaram e se dirigiram para a frente, com a intenção de agredir o vascaíno.

 
O motorista tentou defender o vascaíno, mas foi puxado pela camisa e afastado pelos flamenguistas. Ele desceu do ônibus e começou a gritar, pedindo aos agressores que parassem e também clamando por socorro.

Após cessarem as agressões, o motorista retornou ao veículo e tirou o ônibus do local, pois o grupo do Flamengo estava nas proximidades. Eumar teria começado a piorar, aparentava um olhar longe e tinha baba com sangue pela boca. Ele foi socorrido e encaminhado ao hospital pelo Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF), passou por cirurgia, mas não resistiu.

Por Willian Matos

METRÓPOLES

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