Vídeo inédito mostra acasalamento de onça preta rara na Amazônia.

É a primeira vez que cientistas registram uma onça-pintada preta acasalando natureza. Estudo ajuda a entender características da espécie.

Reprodução/Youtube/Universidade de East Anglia (UEA)
 

Um momento inédito foi registrado por pesquisadores na Amazônia. Câmeras gravaram cenas nunca vistas antes de uma onça-pintada com pelagem preta e outra de cor comum acasalando na natureza. As imagens foram feitas no Parque Nacional da Serra do Pardo, no Rio Xingu.

A gravação foi feita graças ao uso de armadilhas fotográficas e outras ferramentas não invasivas. A técnica vem revolucionando a forma de estudar espécies com comportamentos evasivos, como as onças-pintadas.

“Tiramos a sorte grande e captamos a primeira filmagem de uma onça-preta acasalando com um macho malhado na natureza. A gravação revela o namoro e a cópula. Se eles tivessem se movido alguns metros, teríamos perdido tudo”, comemora um dos autores do artigo, Carlos Peres, professor da Escola de Ciências Ambientais da UEA, em comunicado.

Dúvidas sobre o motivo do comportamento

Apesar de mostrar uma sequência de comportamentos de cortejo e cópula, um fato chamou a atenção dos pesquisadores: a onça preta fêmea tinha sinais de lactação, como mamilos protuberantes, levantando dúvidas se estava verdadeiramente em estro (estado conhecido como cio).

Os autores especulam que o animal estivesse em psuedoestro, um comportamento utilizado para proteger os filhotes, confundido a paternidade.

“Se a fêmea estivesse de fato lactando, isso poderia significar que ela estava usando uma estratégia de ‘esconde-esconde’, que consiste em acasalar para confundir a paternidade e proteger seus filhotes. Essa é uma possibilidade que não podemos descartar”, explica o autor principal do estudo, Thomas Luypaert, da Universidade Norueguesa de Ciências da Vida (NMBU, na sigla em inglês).

Por que a onça é preta?

A onça fêmea registrada nas imagens é uma onça-pintada, porém é preta devido ao melanismo, uma mutação genética rara que aumenta a produção de melanina, tornando a pelagem do animal preta. Mesmo tendo características genéticas distintas do parceiro, não foram detectadas diferenças claras nos padrões de acasalamento entre os dois.

Compreender melhor como as onças se comportam em ambientes naturais pode ser essencial para elevar o sucesso reprodutivo da espécie, refinando o processo de inseminação artificial em cativeiro e melhorando as avaliações de compatibilidade de parceiros em cativeiro.

Por fim, os pesquisadores avaliam que o trabalho pode ajudar em estudos futuros para explorar se o melanismo influencia no processo reprodutivo, comportamento social e outras características ecológicas da onça-pintada.

O estudo faz parte da Expedição de Biodiversidade e Carbono na Amazônia (ABC), projeto financiado por universidades norueguesas e ingleses, em parceria com instituições brasileiras. O foco está na pesquisa, conservação, desenvolvimento e avaliação dos estoques de carbono na Amazônia.

Por Jorge Agle

METRÓPOLES

Deixe uma resposta