Talibãs pedem ajuda estrangeira após 1,4 mil mortos em terremoto.
“Esta é uma grande tragédia”, disse porta-voz do Ministério da Saúde.

O Talibã pediu nesta terça-feira (2) ajuda urgente à comunidade internacional após o terremoto que deixou mais de 1.400 mortos e cerca de 3.100 feridos no leste do Afeganistão, enquanto vários países e instituições começaram a canalizar assistência humanitária para o país.
– Esta é uma grande tragédia. Muitas pessoas precisam de atendimento médico urgente e tratamento contínuo – disse à Agência EFE o porta-voz do Ministério da Saúde, Sharafat Zaman Amar, que detalhou que não só os feridos pelo terremoto necessitam de cuidados, mas também aqueles que sofrem de mazelas subsequentes, como infecções, desnutrição ou problemas de saúde mental.
– Por isso, fazemos um apelo às organizações de saúde internacionais para que se apresentem e prestem assistência em colaboração com o Emirado Islâmico do Afeganistão – acrescentou o porta-voz.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, já liberou 5 milhões de dólares (R$ 27 milhões) do Fundo de Emergência da organização para atender às necessidades mais urgentes. As Nações Unidas também preparam um apelo internacional por fundos e alertaram que os recursos humanitários atuais são “insuficientes” para responder à magnitude da crise.
O Reino Unido anunciou uma ajuda de 1,35 milhão (R$ 7,39 milhões) canalizada através de agências da ONU e da Federação Internacional da Cruz Vermelha, enquanto a União Europeia (UE) garantiu que sua equipe de Proteção Civil e Ajuda Humanitária (ECHO) já está no terreno.
A Índia enviou mil barracas de campanha e 15 toneladas de alimentos a Cabul e prometeu mais remessas nos próximos dias, segundo confirmou o ministro das Relações Exteriores indiano, Subrahmanyam Jaishankar, em sua conta no X.
Outros países mostraram solidariedade sem oferecer contribuições concretas. A China disse estar disposta a cooperar “de acordo com as necessidades do Afeganistão e dentro de sua capacidade”, enquanto o Irã ofereceu suprimentos médicos e os Estados Unidos transmitiram suas condolências.
O terremoto, com epicentro na província oriental de Nangarhar, na fronteira com o Paquistão, deixou milhares de famílias desabrigadas e comunidades inteiras isoladas por deslizamentos de terra. As Nações Unidas estimam que cerca de 12.000 pessoas foram diretamente afetadas.
A catástrofe atinge um Afeganistão com uma economia frágil sob o regime talibã, isolado do sistema financeiro internacional, com fundos congelados no exterior e sem capacidade fiscal para responder a emergências. O país depende quase inteiramente da ajuda humanitária, que nos últimos dois anos foi drasticamente reduzida devido ao isolamento político do governo de facto.
*EFE
