Brasil tenta retirar suco, café e Embraer do tarifaço nos EUA.
Negociações tentam reduzir estragos.
O governo brasileiro vai propor, em negociações com representantes do comércio dos Estados Unidos excluir suco de laranja, café e aviões da Embraer da tarifa de 50%. A proposta será levada nesta terça-feira (29), nos Estados Unidos, se não ocorrer a prorrogação da medida prevista para começar na sexta-feira (1º).
Mais cedo, o secretário do Comércio dos EUA, Howard Lutnick, disse à CNBC que o país avalia isentar de tarifas alimentos e recursos naturais não produzidos no território norte-americano. Ele citou café e cacau, sem, no entanto, mencionar o Brasil.
O suco de laranja e o café estão entre os itens mais afetados. Para o suco, a tarifa de 50% pode gerar impacto anual de até 792 milhões de dólares (R$ 4,3 bilhões). O cálculo soma a nova alíquota de 50% ao adicional de 10% anunciado em abril.
O valor estimado equivale a aumento de cerca de 456% sobre os impostos pagos na safra 2024/25, de 142,4 milhões de dólares (aproximadamente R$ 769 milhões), segundo a CitrusBR com base na Secex. Hoje, o Brasil paga tarifa fixa de 415 dólares por tonelada ao vender suco aos EUA.
Na safra encerrada em 30 de junho, os EUA foram o segundo destino do suco brasileiro, com 41,7% de participação. Foram 307.673 toneladas exportadas, cerca de 85 milhões de caixas de 40,8 quilos, e receita de 1,31 bilhão de dólares (R$ 7,3 bilhões).
Os EUA dependem do suco brasileiro após a queda da produção na Flórida por causa do greening, doença que derruba a fruta antes de amadurecer. Isso reduziu a oferta local de laranjas ao longo dos últimos anos.
No café, o Brasil é o principal fornecedor dos EUA, que compraram 17% do total exportado entre janeiro e maio. Se a tarifa de 50% for aplicada ao produto brasileiro, a substituição por outros países tende a ser difícil e o preço pode subir para o consumidor americano.
O governo também quer blindar a Embraer. A empresa aponta risco de perder mercado se houver sobretaxa. A fabricante tem unidade nos EUA com 3 mil funcionários e 3 bilhões de dólares (R$ 16,7 bilhões) em ativos.
A Embraer projeta, até 2030, potencial de compras de 21 bilhões de dólares (R$ 117,1 bilhões) em equipamentos de fornecedores americanos para aviões vendidos ao mundo. Os EUA representam 45% do mercado de jatos comerciais da empresa e 70% dos executivos.
Antes do anúncio dos 50%, a Embraer já buscava reduzir a tarifa mínima de 10% aplicada ao Brasil. Em novo cenário, a conta pode piorar: a empresa calcula custo adicional de R$ 20 bilhões até 2030, com alta de cerca de R$ 50 milhões por avião. As informações são do O Globo.
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