‘Ato de guerra’: Índia bombardeia Paquistão, que promete resposta.
Operação militar ocorre duas semanas depois de atentado na Caxemira indiana.

A Índia atacou alvos classificados de “infraestrutura terrorista” dentro do Paquistão, que prometeu responder ao que chamou de “provocação hedionda” e “ato de guerra”. Os dois países possuem armas nucleares e já se envolveram em quatro guerras desde a independência e subsequente partilha, que resultou na criação das duas nações, em 1947.
A operação militar ocorre duas semanas depois de militantes islâmicos realizarem um ataque em Pahalgam, na Caxemira indiana, matando 26 pessoas, a maioria turistas indianos e casais em lua de mel. Os terroristas pouparam as mulheres, pedindo que elas relatassem a chacina ao primeiro-ministro da Índia, o nacionalista Narendra Modi.
Nesta terça, moradores de Muzaffarabad, capital da parte paquistanesa da Caxemira, relataram jatos sobrevoando o local. Eles disseram que uma área rural usada pelo Lashkar-e-Taiba, uma conhecida organização terrorista que atua no Paquistão, foi alvo dos ataques.
VERSÕES
Os militares paquistaneses disseram que aviões indianos não invadiram o espaço aéreo do país e os ataques foram realizados com mísseis. Mais tarde, no entanto, a força aérea afirmou ter derrubado dois caças Rafale da Índia, que não confirmou a informação.
Ahmed Sharif Chaudhry, porta-voz do exército paquistanês, afirmou que oito pessoas morreram, incluindo uma criança.
– O Paquistão responderá no momento e local de sua escolha. Essa provocação hedionda não ficará impune – disse Chaudhry.
– E uma resposta adequada está sendo dada. A nação paquistanesa e as forças armadas sabem como lidar com o inimigo – disse.
O ministro da Defesa do Paquistão, Khawaja Asif, confirmou a morte de civis.
– A Índia alega que atacou campos terroristas. Isso não é verdade. A imprensa internacional pode visitar os locais onde os civis foram alvejados – disse.
– Esses ataques vêm na esteira do bárbaro atentado terrorista de Pahalgam, no qual 25 indianos e um cidadão nepalês foram assassinados – disse o Ministério da Defesa da Índia em comunicado.
O exército indiano disse ter cumprido seu objetivo.
– A justiça foi feita – escreveu o comando militar da Índia em publicação no X.
O presidente dos EUA, Donald Trump, lamentou a operação militar da Índia.
– É uma pena. Acabei de saber disso, quando estava entrando no Salão Oval. As pessoas sabiam que algo aconteceria com base no passado. Eles estão lutando há muito tempo – observou.
A rivalidade a que Trump se refere remonta à época da independência indiana, após a Segunda Guerra Mundial. Quando os britânicos entregaram o poder, muçulmanos e hindus chegaram à conclusão que seria impossível conviver dentro da mesma fronteira. O Congresso Nacional Indiano, liderado por Jawaharlal Nehru, influenciado por Mahatma Gandhi, criou a Índia. A Liga Muçulmana, de Mohamed Jinnah, formou o Paquistão.
CAXEMIRA
O único nó não desatado foi a Caxemira, de maioria islâmica, mas governada por um marajá indiano. Nas oito décadas seguintes, os dois países que emergiram da sangrenta partilha reivindicaram a soberania da região em sua totalidade e travaram quatro guerras pelo controle do território – 1947, 1965, 1971 e 1999 -, sem contar inúmeros incidentes, escaramuças e impasses na fronteira.
O conflito pautou a geopolítica da Guerra Fria. A rivalidade entre China e Índia – os dois países travaram uma guerra em 1962 – fez o governo chinês se aproximar do Paquistão e usar o país como contrapeso, fornecendo armas e treinamento. Em resposta, os indianos passaram a apoiar a causa do Tibete.
O maior foco de tensão, no entanto, continua sendo na Caxemira, um dos lugares mais militarizados do mundo. Até então, os dois países buscam calibrar a intensidade de suas operações militares na região em razão das armas nucleares que possuem. A Índia realizou seu primeiro teste em 1974 – o Paquistão respondeu com a fabricação de sua própria bomba, em 1998.
ATENTADO
O barril de pólvora voltou a ser aceso em abril, com o massacre dos turistas em Pahalgam. Foi um dos piores ataques a civis indianos em décadas. Modi acusou o Paquistão de envolvimento, apesar de apresentar poucas evidências. O governo paquistanês negou ter relação com a chacina.
Ainda assim, logo após o ataque, a Índia anunciou uma série de medidas punitivas contra o Paquistão, incluindo a ameaça de interromper um importante sistema fluvial que abastece os paquistaneses com água. Islamabad fechou seu espaço aéreo para aeronaves indianas. A situação foi lentamente escalando, apontando para um conflito aberto.
Nesta terça, moradores do distrito de Kupwara, na Caxemira administrada pela Índia, relataram uma troca de tiros entre tropas indianas e paquistanesas na Linha de Controle, a fronteira de fato que divide a região localizada entre os dois países. Uma explosão foi registrada em Srinagar, maior cidade da Caxemira indiana.
*AE
