Proposta de criação de CPI da Usaid passa de 100 assinaturas.
É necessário o apoio de 171 deputados para que o requerimento seja apresentado.

A proposta de criação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) na Câmara dos Deputados para apurar uma possível interferência da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) no Brasil ultrapassou a marca de 100 assinaturas. Para apresentar o requerimento, é necessário o apoio de 171 deputados.
O pedido de criação da comissão na Câmara dos Deputados tem como base uma entrevista de Mike Benz, ex-funcionário do governo Trump, na qual ele disse que, “se a Usaid não existisse, Jair Bolsonaro ainda seria o presidente do Brasil”, e que o país “ainda teria uma internet livre e aberta”.
Nas últimas semanas, a Usaid tem ficado no centro de uma polêmica relacionada ao uso de verbas do contribuinte americano para o financiamento de iniciativas e projetos de cunho progressista ao redor do mundo. Por causa disso, o presidente Donald Trump suspendeu as atividades da agência e concedeu licenças administrativas aos funcionários.
Em uma nota publicada pela Casa Branca no dia 3 de fevereiro, o governo americano detalhou alguns projetos polêmicos que teriam sido financiados pela Usaid, como, repasses para a EcoHealth Alliance, entidade que esteve envolvida em uma pesquisa no Instituto de Virologia de Wuhan, na China, sobre o coronavírus em morcegos.
Além disso, o governo dos Estados Unidos também elencou inúmeros repasses da Usaid para produções culturais de cunho progressista sobre diversidade, transgêneros e questões relacionadas ao “ativismo LGBT” ao redor do mundo.
Entre elas estão:
– 1,5 milhões de dólares (R$ 8,68 milhões) para “promover a diversidade, a equidade e a inclusão nos locais de trabalho e nas comunidades empresariais da Sérvia”;
– 47 mil dólares (R$ 272 mil) para uma “ópera transgênero” na Colômbia;
– 32 mil dólares (R$ 185 mil) para uma “história em quadrinhos transgênero” no Peru;
– 2 milhões de dólares (R$ 11,58 milhões) para mudanças de sexo e “ativismo LGBT” na Guatemala.
Em nota à imprensa, o governo Trump ressaltou que a agência “não tem prestado contas aos contribuintes, pois canaliza enormes somas de dinheiro para os ridículos — e, em muitos casos, maliciosos — projetos de estimação de burocratas entrincheirados, com quase nenhuma supervisão”.
A Casa Branca completou o comunicado dizendo que, no entanto, “o desperdício, a fraude e o abuso acabam agora”.
USAID E BOLSONARO
Michael Benz, ex-chefe da divisão de informática do Departamento de Estado dos Estados Unidos, fez uma declaração que gerou grande repercussão no Brasil. Ao podcast War Room, de Steve Bannon, ex-assessor do presidente Donald Trump, Benz afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ainda estaria no cargo se a Usaid não existisse.
De acordo com Benz, a entidade gastou “dezenas de milhões de dólares do contribuinte americano financiando a pressão para que projetos de lei contra a desinformação fossem aprovados” no Parlamento brasileiro, e também bancou advogados que teriam feito pressão no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) – que Benz chamou de “tribunal da censura” – para reprimir tuítes de Bolsonaro.
– Eles [Usaid] construíram um polvo de censura no Brasil e ele foi construído inteiramente com a Usaid, por que a Usaid declarou Bolsonaro um Trump populista, um Trump dos trópicos, e em seguida montou essa operação para controlar o ecossistema de informações no país – completou.
– Transparência e soberania não podem ser negociadas. Além disso, é necessário que o Itamaraty e os órgãos de inteligência avaliem os riscos dessa interferência para a segurança institucional e política do Brasil – apontou.
Por: Paulo Moura
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