Após vídeo polêmico, comandante da Marinha dá explicações a Lula.
José Múcio levou almirante Marcos Olsen para reunião com presidente.

Envolto em uma saia-justa após a Marinha criticar indiretamente o pacote fiscal do governo, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, levou o comandante Marcos Sampaio Olsen para ter uma conversa, nesta sexta-feira (4), com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que havia ficado irritado com a situação. O encontro aconteceu na Granja do Torto, residência de campo oficial da Presidência.
De acordo com apuração do jornal O Globo, Olsen deu explicações a Lula sobre o vídeo polêmico que foi publicado em alusão ao Dia do Marinheiro. Nele, era possível ver cenas de marinheiros em treinamento enquanto civis aproveitavam momentos de lazer. Ao fim da gravação, um militar questiona a existência de “privilégios” nas Forças Armadas.
– Privilégios? Vem para a Marinha – dispara.
A gravação foi interpretada como uma crítica ao pacote fiscal do governo, que altera regras para a aposentadoria de militares, passando a exigir uma idade mínima de 55 anos para tal. A mudança foi enviada ao Congresso Nacional, onde será votada pelos parlamentares. Atualmente não há restrição de idade, sendo necessário apenas 35 anos de serviço.
A situação gerou um desconforto generalizado, e o vídeo foi excluído. O presidente Lula e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, chegaram a ligar para Múcio questionando se ele tinha conhecimento do teor do vídeo, o que ele negou. Contudo, a publicação do conteúdo foi autorizada pelo almirante Olsen.
Como sinal de sua insatisfação, o chefe do Executivo desistiu da ideia de estender o período de transição da nova regra. No último dia 30 de novembro, Lula havia dito que atenderia a um pedido dos militares para que a norma fosse adotada completamente somente depois de 2043.
Após, a conversa entre Olsen, Múcio e Lula, na Granja do Torto, interlocutores afirmaram que o assunto foi resolvido. Entretanto, a partir de agora, campanhas publicitárias feitas pelas Forças Armadas terão de passar obrigatoriamente pelo aval do Ministério da Defesa.
Por: Thamirys Andrade
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