Após seifar sete vidas por suas condições, ponte perto de Lagoa de Cima em Camposrecebe sinalização por parte do DER
— Sinalizou, mas não trouxe segurança no meu ponto de vista — contou Maria José Fernandes, enquanto pescava às margens do rio Preto com uma amiga. A dona de casa e moradora da área, de 59 anos, que atravessa frequentemente a ponte falou: “Não podemos adivinhar e nem impedir que esses acidentes aconteçam, mas o governo poderia fazer alguma coisa a mais para evitar que se repitam no mesmo lugar. Essa ponte precisa de um alargamento e de barreiras laterais, para evitar que em qualquer batida o carro acabe indo parar no rio e mate os ocupantes afogados”.
Do outro lado da ponte, em uma propriedade rural, três homens concertavam uma cerca. Um deles, Carlos Alberto Rocha dos Santos, 40 anos, complementou o que foi dito pela pescadora:
— Pode colocar mil placas aqui. Ninguém respeita essas sinalizações aqui, principalmente nos finais de semana quando muitos “descem” da lagoa com “cachaça na cabeça”. Tem que colocar um redutor físico; um quebra-molas ou um pardal. Qualquer coisa que force a desaceleração antes de acessar a ponte — disse o trabalhador rural. “Enquanto não houver, vão continuar acontecendo acidentes”, concluiu Carlos Alberto.
Atualmente único representante de Campos na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), o deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD) chegou a protocolar na Casa uma indicação cobrando ao DER soluções para a rodovia, apesar de, segundo ele, outros requerimentos no mesmo sentido terem sido protocolados antes da tragédia acontecer, mas sem resposta do órgão estadual. A nova sinalização chegou, mas outras ações, como cobram os moradores que passam diariamente pelo local, ainda precisam ser efetivadas.
No dia 14 de dezembro, uma segunda-feira, um grave acidente, que causou comoção na cidade e teve repercussão nacional, chamou a atenção para a necessidade de intervenções na ponte do Saraiva, na RJ 208. Os irmãos Enzo Gabriel (2 anos), Ana Lais (4), Kemilly Sophya (6) e Phandora (8), e os primos Bruna Vitória (3) e Erick (12), além do condutor, Adilson, de 45 anos, um conhecido da família, morreram após o carro em que estavam cair no rio preto. No veículo, um Gol “caixote” branco, ainda estavam mais duas pessoas que sobreviveram: uma adolescente, de 13 anos, e uma jovem de 18 anos, mãe da Bruna Vitória.
— Em 33 anos, eu nunca vi um acidente como esse das criancinhas — comentou o ribeirinho Mário do Nascimento, de 70 anos, que se queixou da falta de sinalização luminosa, quebra-molas e redutores de velocidade “que poderiam evitar tragédias como essa”.
O deputado Rodrigo Bacellar reforçou que diversos requerimentos foram feitos anteriormente junto ao DER para melhorias na rodovia estadual. Após o acidente, ele voltou a solicitar “providências para a urgente instalação de placas de sinalização, redutores de velocidade e guard-rail nas cabeceiras da ponte situada na RJ 208, estrada que liga as localidades de Tapera e Lagoa de Cima”.
O parlamentar ainda falou sobre a apuração de possível omissão do DER. “Será objeto de trabalho um profundo levantamento acerca de todas as demandas acumuladas no órgão [DER] para que haja o devido planejamento e execução, caso contrário a omissão dos responsáveis pelo órgão deverá ser devidamente apurada pela Casa [Alerj]”.
Folha 1
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