Justiça manda retirar do ar do especial de Natal do Porta dos Fundos e ator Carlos Vereza grava vídeo de repudio ao grupo
A decisão do judiciário aponta ainda que o teor do filme produzido e exibido afronta
princípios assegurados constitucionalmente, como o da dignidade da pessoa humana.
Cena do filme ‘Especial de Natal Porta dos Fundos 2019: A Primeira Tentação de Cristo’ – Reprodução
Rio – A Justiça do Rio determinou, nesta quarta-feira, que a Netflix retirasse do ar o ‘Especial de Natal Porta dos Fundos: A Primeira Tentação de Cristo’, assim como trailers, making of, propagandas, ou qualquer alusão publicitária ao filme. Caso a determinação não seja cumprida, tanto o Porta dos Fundos quanto a Netflix terão que pagar multa diária no valor de R$ 150 mil.
O agressivo especial de Natal realizado pelo grupo, gerou polêmica e virou pretexto para um atentado contra a sede da produtora, no Humaitá, Zona Sul do Rio, na madrugada de 24 de dezembro. Dois coquetéis molotov foram lançados, por um grupo que se apresentou na internet como integralista, dentro do prédio, causando um incêndio que foi controlado antes de causar danos significativos.
Um dos acusado pelo atentado – Eduardo Fauzi Richard Cerquise, de 41 anos – está foragido desde 31 de dezembro. Ele viajou para a Rússia antes de sua prisão ser decretada.
Um dos acusado pelo atentado – Eduardo Fauzi Richard Cerquise, de 41 anos – está foragido desde 31 de dezembro. Ele viajou para a Rússia antes de sua prisão ser decretada.
A decisão de tirar o especial do ar foi tomada pelo desembargador Benedicto Abicair, da 6ª Câmara Cível, em agravo de instrumento proposto pela Associação Centro Dom Bosco de Fé e Cultura, um grupo religioso carioca.
O consagrado ator kardecista Carlos Vereza, gravou um vídeo de repúdio ao grupo Porta dos Fundos, pela produção e gravação do vídeo que de forma gratuita ataca a fé dos católicos não só do Brasil, maior pais católico do mundo, mas de todos os países onde vivem.
Confiram:
Inicialmente a entidade propôs uma ação civil pública pedindo que o vídeo fosse retirado do ar, mas em primeira instância o pedido foi negado. “Não constatei a ocorrência de qualquer ilícito (…). Também não verifiquei violação aos direitos humanos, incitação ao ódio, à discriminação e ao racismo, sendo que o filme também não viola o direito de liberdade de crença, de forma a justificar a censura pretendida”, escreveu, em 19 de dezembro, a juíza Adriana Jara Moura, da 16ª Vara Cível. O grupo recorreu e agora o desembargador atendeu ao pedido.
De acordo com o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, a decisão se deu porque “a honra e a dignidade de milhões de católicos foi gravemente vilipendiada pelos réus, já que o especial de Natal mostra Jesus como homossexual, Maria uma adultera desbocada e José como um idiota traído”.
A decisão aponta ainda que o teor do filme produzido e exibido afronta princípios assegurados constitucionalmente, como o da dignidade da pessoa humana, o da liberdade religiosa e o do respeito aos princípios éticos e sociais da pessoa e da família.
Procurada pelo DIA, a Netflix informou que não vai comentar a decisão. Já a produtora Porta dos Fundos ainda não se manifestou sobre o caso.
Ataque à sede do Porta dos Fundos
No dia 31 de dezembro de 2019, a Polícia Civil realizou uma operação em busca de Eduardo Fauzi Richard Cerquise, um dos suspeitos de atacar a produtora. Eduardo foi identificado por câmeras de segurança após retirar o capuz momentos após o ataque. No dia 2 de janeiro de 2020, foi descoberto que Fauzi estaria escondido na Rússia, onde tem família.
Nesta quarta-feira (8), ele foi incluído na lista de difusão vermelha da Interpol, que é considerado o alerta máximo. Assim, Eduardo pode ser preso por qualquer força policial do país em que esteja.
Por O Dia
RANOTÍCIAS

