Lembrando justiça italiana, identidade de juízes que atuam contra crime organizado será mantida em sigilo no Rio

Por questões de segurança, Justiça do Rio resolve

adotar ‘juízes sem rosto’ para enfrentar o crime

organizado, assim como ocorreu na Itália e depois na

Colômbia.

Com o avanço do crime organizado, Tribunal do Rio já tem 21 juízes ameaçados que estão com escolta policial

Com o avanço do crime organizado, Tribunal do Rio já tem 21 juízes ameaçados que estão com escolta policial Foto: Pedro Teixeira.

O combate ao crime organizado no Rio de Janeiro, se torna cada vez perigoso para quem se determina a enfrentar traficantes e milicianos, que ao longo dos anos, com a conivência, ou em alguns casos com a omissão do poder público, passaram a controlar várias localidades e municípios ao redor da cidade maravilhosa. Hoje, com 21 juízes ameaçados de morte e vivendo sob proteção policial, o Tribunal de Justiça do Estado do Rio vai mudar, pela primeira vez em anos, toda a sua dinâmica de funcionamento. Diante do forte avanço da violência, insuflada sobretudo pelo avanço do fenômeno das milícias, o Judiciário fluminense vai criar a primeira vara estadual especializada em combate à corrupção, lavagem de dinheiro e organizações criminosas. Por uma questão de segurança, em vez de um único magistrado julgar, como acontece normalmente, um grupo de juízes será designado para atuar em processos envolvendo quadrilhas de tráfico ou grupos paramilitares. A ideia, que ficou conhecida como “Justiça sem rosto”, se inspirou nos colegiados judiciais da Itália, que agiram contra máfia, e que foram depois reproduzidos na Colômbia nos anos 1990 para enfrentar a ascensão do narcotráfico, até acabarem com o poderio de Pablo Escobar, um dos maiores traficantes de drogas da história.

A mudança prevê que os colegiados sejam formados por três juízes, que não serão identificados durante o processo, e, só ao final, assinam a sentença, o que reduz o foco de quando há um único julgador. A proposta já foi aprovada por uma comissão interna do Tribunal de Justiça e aguarda parecer legislativo, que está em andamento dentro da instituição. O presidente do TJ, desembargador Claudio de Mello Tavares, pretende submeter a proposta, ainda este mês ou no máximo no início de junho, aos 25 desembargadores do Órgão Especial.

Por: EXTRA
RA NOTÍCIAS

 

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