Mulher espancada até a morte em área de conflito de Guarus em Campos RJ

Por: VERÔNICA NASCIMENTO 
Mulher morta dentro de casa em Guarus
Mulher morta dentro de casa em Guarus / Paulo Pinheiro

Mais um homicídio foi registrado em Campos, na manhã desta quarta-feira (20). O crime aconteceu no conjunto habitacional do Novo Eldorado, divisa com o Santa Rosa. Desta vez, a vítima foi uma mulher, de 50 anos, identificada como Carmem Ângela Mahon. Ela foi espancada até a morte em sua casa, na rua 1. Carmem não teria ligação com o tráfico de drogas, cuja disputa por território tornou o local conhecido como Faixa de Gaza, hoje comparado com a Síria. O corpo foi achado por volta das 10h pela família, que, desde a noite de segunda (18), não conseguia contato com a vítima. O suspeito do assassinato foi preso poucas horas depois, no final desta manhã. A polícia ainda não divulgou informações sobre o homem nem o motivo do assassinato.

De acordo com a perícia, o assassino escalou o muro e não usou nenhuma arma ou instrumento para agredir a mulher. Carmem foi espancada no corredor, ao lado de fora da casa, e arrastada até a cozinha. Familiares preferiram não se identificar, mas contaram que a vítima, que era trabalhadora, havia se mudado para o bairro há um mês. A mudança para a zona de conflito teria sido, para a família, sua sentença de morte.
— Ela se separou do meu pai e ficou seis meses morando no trailer, em um barracão perto da entrada do Santa Rosa, que funcionava como um bar. Ela trabalhava e dormia lá, um lugar também perigoso. Chamei ela para morar comigo e, aí, uma pessoa vendeu essa casa para ela pagar como pudesse. Eu falava com minha mãe todos os dias e estranhei ela não atender as ligações. Meu marido esteve aqui e não conseguiu entrar. Hoje (quarta), viemos de novo e já me apavorei quando vi o rastro de sangue do lado de fora. Foi horrível. Ninguém entende o que pode ter acontecido — disse uma filha da vítima.
O Eldorado e Santa Rosa, incluindo as casinhas de locais apelidados como Sapo, Sapo 2 e Suvaco da Cobra, assim como os parques Santa Clara, Prazeres, Bandeirantes, Codin e Custodópolis, fazem parte de uma das áreas de conflito mais perigosas do interior fluminense, com 76 homicídios registrados até esta quarta (20). O caso aconteceu aproximadamente 24 horas depois de outro assassinato na região.
Por:Folha1

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