Chile vai às urnas neste domingo para escolher sucessor de Michelle Bachelet
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Funcionário eleitoral carrega urnas em preparação para o segundo turno presidencial em um estádio de Santiago, no Chile (Foto: Claudio Reyes/ AFP)
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O ex-presidente de direita Sebastián Piñera e o candidato de centro-esquerda Alejandro Guillier disputam neste domingo (17) a presidência do Chile, em um segundo turno de difícil previsão para definir o sucessor de Michelle Bachelet a partir de 11 de março de 2018.
As maios de 43 mil mesas de votação abriram no país às 9h e devem fechar às 19h (horário de Brasília). O resultado deverá ser conhecido na noite deste domingo.
A dispersão do voto no primeiro turno de 19 de novembro, quando o partido de esquerda radical Frente Ampla surpreendeu e virou a terceira força política do país, dificulta a vitória de Piñera e transforma numa incógnita o resultado de Guillier.
O ex-presidente, que governou o Chile de 2010 a 2014, conseguiu 36,6% dos votos (muito abaixo do esperado), contra 22% do senador Guillier e 20% da candidata da esquerda radical, Beatriz Sánchez.
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O jornailsta Alejandro Guillier, candidato de centro-esquerda, e o de direita Sebastián Piñera, ex-presidente do Chile, disputam o segundo turno presidencial neste domingo (16) (Foto: Ivan Alvarado/ Reuters)
A última pesquisa eleitoral Cadem, divulgada no dia de 1º de dezembro, apontava Piñera com 40% das intenções de voto e Guillier com 38,6%, um empate técnico. Outros 21,4% dos entrevistados indicaram que não sabiam em quem votar, votariam em branco ou nulo ou não iriam às urnas. O Chile tem um prazo de 15 dias em que não podem ser divulgadas pesquisas antes da eleição.
No Chile, o voto não é obrigatório. No primeiro turno de novembro, o comparecimento às urnas foi de quase metade dos mais de 14 milhões de eleitores. O índice de participação neste domingo será vital para a disputa acirrada.
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Funcionário eleitorais arrumam sala de votação para o segundo turno presidencial deste domingo (17) no Chile (Foto: Pablo Sanhueza/ Reuters)
“Provavelmente, a eleição será definida por menos de 200 mil votos de diferença”, prevê o analistas político da Universidade de Santiago, Marcelo Mella, em entrevista à agência de notícias France Presse. Para Mauricio Morales, diretor do Centro de Análises da Universidade de Talca, estas eleições estão cercadas de “um dos maiores graus de incerteza desde o retorno da democracia”.
Independente do vencedor, a eleição deste domingo torna iminente algo que há anos não se via na América Latina: a ausência total de presidentes mulheres. Michelle Bachelet sairá de cena como a última presidente mulher da região.
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A presidente do Chile, Michelle Bachelet (Foto: Ximena Navarro / Presidência chilena / via Reuters)
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O resultado dependerá, sobretudo, do que decidirem os eleitores da Frente Ampla, que deu liberdade de decisão a seus seguidores, apesar de Sánchez ter anunciado que votará em Guillier.
O fantasma da derrota começou a rondar a coalizão de direita de Piñera ante a possibilidade de uma união de todas as forças centro-esquerda – que disputou o primeiro turno fragmentada em seis candidaturas.
Piñera: ‘governante da unidade’
Piñera prometeu na quinta-feira, em seu último comício, ser o governante da “unidade”. “Vou ser o presidente da unidade, da mudança, do progresso, do futuro e da esperança”, disse Piñera.
Afirmou ainda que os chilenos querem “mudanças profundas, mas bem feitas, baseadas no diálogo e não no confronto”.
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Sebastián Piñera em seu último comício da campanha presidencial, em Santiago (Foto: Carlos Vera/ Reuters)
O ex-presidente, que encerrou a campanha em um teatro no centro de Santiago, diante de cerca de 3 mil pessoas, recebeu o apoio de vários ex-mandatários, como o espanhol José María Aznar, os colombianos Andrés Pastrana e Álvaro Uribe, e o mexicano Felipe Calderón.
Piñera pediu o voto dos menos favorecidos e da classe média para colocar em marcha seu lema de campanha: “Tempos melhores”, com mais empregos, salários e melhores aposentadorias, além do combate ao crime e a promoção da saúde para todos.
“Se sente, se sente, Piñera presidente”, gritava o público, majoritariamente feminino, procedente de muitos bairros periféricos de Santiago.
Se vencer, Piñera será o único político de direita a governar o Chile em duas ocasiões, ao final de um longo caminho que sempre trilhou junto ao manejo de seus negócios, que o levaram a ter hoje uma fortuna avaliada em 2,7 bilhões de dólares, segundo a revista Forbes.
Guillier: ‘consolidar o caminho’
Já Alejandro Guillier encerrou sua campanha com um comício em Santiago, ao lado do ex-presidente uruguaio Pepe Mujica (2010-1025). Guillier foi durante três décadas repórter, editor chefe e apresentador dos principais telejornais do país, que o tornaram um dos jornalistas de maior credibilidade do Chile.
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Alejandro Guillier tem apoio do ex-presidente do Uruguai, Pepe Mujica, em seu último comício da campanha presidencial em Santiago, no Chile (Foto: Rodrigo Garrido/ Reuters)
Com o Palácio de la Moneda como pano de fundo, ele discursou para cerca de 5 mil pessoas. “A história me colocou em um lugar que não procurei, mas aceito este desafio. Quero ser presidente do Chile”, afirmou Guillier para seus partidários.
“O ex-presidente Piñera sempre falou muito bem do Uruguai e reconheço isto, mas estou com o mundo progressista”, declarou Mujica, 82 anos, em referência ao candidato da oposição.
“A presença de Pepe Mujica é uma lição de humildade, de onde queremos ir. Sua presença nos vitaliza e nos ajuda a unir os progressistas”.
“Michelle Bachelet começou o caminho e precisamos consolidar este caminho, avançar em novos temas, em novos desafios”.
A atual presidente Michelle Bachelet evitou dar um apoio explícito a Guillier, mas defendeu, fortemente, a continuidade das reformas sociais empreendidas por ela.


