Ato cometido por Trump, é tão grave quanto a situação com a Coreia do Norte

Hamas convoca nova intifada após anúncio de Trump sobre Jerusalém; Cisjordânia já registra confrontos.

Presidente americano reconheceu a cidade como capital israelense apesar dos apelos da comunidade internacional para não fazê-lo. Jornal local contabiliza pelo menos oito feridos; rede CNN fala em 43.

O Hamas, movimento islâmico com atuação política e um braço armado, convocou nesta quinta-feira (7) uma nova intifada um dia depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reconhecer Jerusalém como capital de Israel. A intifada é o termo utilizado para fazer referência à revolta palestina contra a política de expansão do governo de Israel.

“Devemos convocar e devemos trabalhar no lançamento de uma intifada diante do inimigo sionista”, disse o líder do Hamas, Ismail Haniyeh, em um discurso em Gaza.

Após o apelo do Hamas, confrontos de manifestantes contra tropas israelenses já são registrados em Ramalah (onde fica a sede da Autoridade Palestina) e Belém. Em Jerusalém há protestos também.

O jornal israelense “Haaretz” recebeu do Crescente Vermelho a informação de que cinco palestinos ficaram feridos num ponto de controle em Al-Birah, perto de Ramallah. Outros dois se feriram nas localidades de Qalqilyah e Tul Karm. Em Gaza, um palestino ficou seriamente ferido, de acordo com o Ministério da Saúde palestino. A CNN afirma que 43 pessoas ficaram feridas nos tumultos.

Apesar dos diversos apelos da comunidade internacional para que o presidente dos EUA não tomasse essa decisão de reconhecer Jerusalém como capital israelense, Trump anunciou na quarta-feira (6) que pediu ao Departamento de Estado que inicie o processo de transferir para lá a embaixada americana atualmente instalada em Tel Aviv.

Policial israelense empurra manifestante palestino durante protesto no Porta de Damasco, na entrada da cidade Velha de Jerusalém, nesta quinta-feira (7)  (Foto: Ariel Schalit/ AP)

Policial israelense empurra manifestante palestino durante protesto no Porta de Damasco, na entrada da cidade Velha de Jerusalém, nesta quinta-feira (7) (Foto: Ariel Schalit/ AP)

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse na quarta-feira que o reconhecimento marca “um dia histórico” e “um importante passo para a paz”. Netanyahu, uma das poucas autoridades políticas a saudar a decisão americana, afirmou que outros países já demonstraram o interesse de seguir a iniciativa americana.

Temendo revoltas, porém, o governo de Israel já implementou reforços militares na Cisjordânia após o anúncio de Trump.

Palestinos queimam imagens de Donald Trump em Gaza, após anúncio de transferência de embaixada (Foto: Mohammed Salem/Reuters)

Palestinos queimam imagens de Donald Trump em Gaza, após anúncio de transferência de embaixada (Foto: Mohammed Salem/Reuters)

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