Talvez, Campos dos Goytacazes nunca saiba para quem, ou onde, milhares de milhões de seu cofre público foram desviados
Uma farsa construída na década de 2000, pode estar sendo revelada agora. Resta saber, e que as respostas sejam dadas a quem de direito, aqueles que pagam os salários das autoridades desse país, o cidadão contribuinte. o escândalo envolve até juiz que se julgou impedido na época de julgar os envolvidos no caso. Caso esse, que se trata simplesmente de caso de prisão.
O fato que vai ser aqui relatado em matéria do jornal folha da Manhã, teve o seu início lá atrás, e mesmo sendo total realidade, parece mais uma trama de ficção, pois nele, constam: Juiz que se julgou impedido de atuar no processo, improbidade administrativa por parte de gestores, empresa fantasma contratada, descumprimento de suposta ordem para suspender pagamento milionário em contrato totalmente irreal… portanto:
Por: ALDIR SALES E JÉSSICA FELIPE
Folha1

MP vistoriou ambulâncias da GAP na Comauto / Paulo Pinheiro
“Não é somente em Duque de Caxias, Baixada Fluminense, que o “fantasma” George Augusto Pereira da Silva é investigado. Em Campos, onde a GAP AP Comércio e Serviços Especiais, empresa que teria o “fantasma” como proprietário e foi contratada pela então prefeita Rosinha Garotinho (PR) para locação de ambulâncias, há Ação Civil Pública, sobre o caso. Como réus, além do próprio George e da GAP, a ex-prefeita de Campos, o ex-secretário municipal de Administração, Fábio Ribeiro, e um servidor público da secretaria de Saúde.
A Ação Civil Pública foi iniciada em outubro de 2011, em princípio, na 4ª Vara Cível. O juiz declinou de competência, passando para a 3ª Vara Cível. O autor, o Ministério Público Estadual (MPE), destaca supostos vícios na contratação da empresa e pede a condenação por improbidade administrativa.
Entre os vícios contratuais, de acordo com o Ministério Público, estariam ausência de estudos prévios e detalhados que justificassem a terceirização dos serviços e da mão de obra dos motoristas da GAP.
Em abril de 2014, três anos após iniciadas as investigações, a Justiça tentou localizar George Augusto Pereira, mas a resposta foi negativa. Já em 2015 houve o desmembramento do processo, com investigação em separado para o “fantasma” George. Na ocasião, o juiz Diego Fernandes Silva Santos declarou: “No caso dos autos, há fortes indícios de que tenha ocorrido o ato de improbidade, não se podendo reconhecer, desta forma, a improcedência de plano do pedido. Por outro flanco, a via eleita é a adequada a se deduzir a pretensão trazida na petição inicial. Desta forma, recebo a petição inicial determinando a citação da parte ré para que, querendo, apresente defesa”. O movimento mais recente é de março de 2017,
História antiga — Em 2009, no primeiro ano da gestão de Rosinha, a GAP foi contratada para alugar ambulâncias ao município. O MPE apontava fraude na licitação que resultou na contratação desde agosto de 2011. Em 2013, a revista Época revelou que George – que chegou a dar uma entrevista por telefone a uma rádio do Rio, era um “fantasma”.
Além de prestar serviço à prefeitura administrada por Rosinha, a GAP foi contratada em 2011 pelo gabinete do então deputado federal Anthony Garotinho para locar um carro em Brasília. A despesa foi paga com dinheiro da Câmara. Na mesma época, a empresa chegou a emprestar um carro para Wladimir Garotinho.
Dois dias depois, Garotinho subiu à tribuna da Câmara para dizer que a empresa ganhou “licitamente a concorrência”. O então deputado negou qualquer ligação com o esquema de George, mas admitiu conhecer o empresário Fernando Trabach Gomes. Já o empresário argumentou, na ocasião, que, sem ele saber, um escritório de advocacia criou George.
O próprio Garotinho anunciou que o contrato seria suspenso, o que foi confirmado pela Procuradoria do Município em março de 2013, mas os pagamentos continuaram a ser feitos.
Mandado de busca e apreensão na Lapa
Enquanto em Campos a investigação diz respeito a supostas irregularidades na contratação da GAP, em Duque de Caxias um outra ação desencadeou mandado de busca e apreensão em 30 locais, na última terça-feira, inclusive em Campos, na casa da Lapa do casal Garotinho.
O Ministério Público Estadual, através do Grupo de Atuação Especializada no Combate à Corrupção (Gaecc/MPRJ), cumpriu mandados de busca e apreensão expedidos pela 3ª Vara Criminal de Duque de Caxias, dentro de investigações que envolvem a GAP. A empresa tinha como um dos proprietários George Augusto Pereira da Silva, um “fantasma”, de acordo com as investigações.
Segundo denúncia do MP, os diversos negócios privados ou junto à administração pública, com uso de documento falso, são praticados desde 2006. O esquema criminoso permitia que o empresário Fernando Trabach Gomes — preso durante a operação — se escondesse na figura do fantasma e se beneficiasse das atividades econômicas lucrativas exercidas pela identidade fictícia.

Folha1
