O apogeu e a decadência de um político

Estamos replicando nesse espaço a perfeita colocação do jornalista Aluísio Abreu Barbosa, em sua coluna no jornal Folha da Manhã da cidade de Campos RJ, quanto ao histórico da carreira política do ex-deputado estadual, como foi o caso de seu primeiro mandato conquistado através do voto popular, Anthony Garotinho, nas eleições de 1986, quando o famoso “chequinho” nem sonhava existir. Mais de trinta anos se passaram e com o tempo se construiu um ciclo que de forma agonizante politicamente, vai se encerrando.

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Foto: Canaltech

Caricatura de si

Depois da sua atuação digna de filme de terror trash, no deprimente episódio da sua transferência do hospital Souza Aguiar ao Complexo Penitenciário de Bangu, em novembro de 2016, se tornou difícil para qualquer analista sério tentar enxergar o limite do ridículo no ex-governador Anthony Garotinho (PR). Em lives postados nos Facebook, como o dele simulando se exercitar numa esteira, com a camisa do Flamengo sobre a pança proeminente, ou em sua própria cama, na qual dizia padecer de febre, tentar enxergar Garotinho além da caricatura histriônica que ele criou para si, é tarefa cada vez mais complicada.

Apoio a quem demitiu

Na quarta, o ex-governador foi pessoalmente a Brasília, onde chorou suas mágoas como réu penal da operação Chequinho no ombro conhecido do relator do caso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Tarcísio Vieira de Carvalho Melo, ex-advogado da ex-prefeita Rosinha Garotinho (PR). Pois ontem, no mesmo dia em que destitui o grupo advogados contratado para defendê-lo na Chequinho, o segundo em menos de um mês, Garotinho publicou em seu blog um mandado de segurança impetrado pela Comissão de Prerrogativas da OAB-RJ, em defesa dos mesmos advogados que não só demitiu, como proibiu de falarem sobre o caso.

Desde 2014, só erros

O que leva um réu a tornar público a defesa institucional de advogados no mesmo dia em que estes foram demitidos pelo próprio réu? Além de deixar a OAB-RJ numa situação embaraçosa, numa defesa que perdeu objeto, a cortina de fumaça criada por Garotinho revela seu desespero diante da proximidade da sentença da Justiça Eleitoral de Campos. Entre seus próprios seguidores, ele já é questionado sem o mesmo temor de outrora. Critica-se as decisões de um líder que, desde o fracasso da eleição a governador do Rio em 2014, na qual não foi nem ao segundo turno, só tem cometido erros.

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Foto: Spotniks

Os erros

Garotinho errou quando apoiou Crivella no segundo turno a governador, que o atual prefeito do Rio perderia em cinco das sete Zonas Eleitorais (ZEs) de Campos. Errou quando se tornou secretário de Rosinha e perdeu qualquer constrangimento em governar no lugar da esposa. Com sua enorme rejeição, errou quando não submergiu na eleição a prefeito de 2016, conduzindo seu grupo à derrota, novamente sem segundo turno, em todas as ZEs do município. Errou ao achar que, depois da Lava Jato, da qual a Chequinho é consequência inequívoca, os políticos brasileiros poderiam se perpetuar no poder à base de compra de voto.

Apogeu e queda

Quase tudo que veio na política goitacá, desde 1988, orbitou em torno da gravidade de quem ali se elegeu prefeito pela primeira vez. Passaram-se quase três décadas antes de Campos ter um governante, Rafael Diniz (PPS), não egresso do garotismo. No seu auge, Garotinho se elegeu governador, em 1998, e fez Rosinha sua sucessora, em 2002. Foi o mesmo ano no qual ele quase foi ao segundo turno da eleição a presidente da República. Como outra figura polêmica que surgiu na segunda metade dos anos 1980, o ex-campeão peso pesado de boxe Myke Tyson, o início de Garotinho foi tão precoce e avassalador quanto a sua decadência.

Folha1

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