Setor tenta enxergar daqui para frente

De tradição secular, o setor sucroenergético projeta soluções para a crise através da união de esforços das unidades industriais, mas dentro de um plano de ação abrangente envolvendo os diferentes braços do segmento, além da comunidade acadêmica e o poder público. A semente foi plantada na última quinta-feira, numa reunião considerada “histórica” na sede regional da Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro).
Resultado de imagem para fotos de corte de cana
Pela primeira vez, as três usinas se uniram para anunciar um projeto a fim de alcançar objetivos comuns, com prioridade para a expansão da produção canavieira a altura da capacidade industrial instalada.
“Nós só temos uma saída. Ou a integração ou nada. Não iremos a lugar nenhum. O setor vive momento de crise há muitos anos e a gente entende que ou é isso ou o fim”, resumiu o presidente do Sindicato da Indústria Sucroenergética do Estado do Rio de Janeiro (Siserj), Frederico Paes.
O passo inicial desta conjugação de esforços será a realização de um seminário no mês de setembro sobre agregação de tecnologia e inovação no setor, além da necessidade de expansão de novas variedades de cana a discussão de projetos de irrigação.
Para este mutirão, serão convidados outros segmentos como as instituições de pesquisa e representantes do poder público.
“Queremos chamar ainda o setor público, a comunidade acadêmica, as universidades e instituições de pesquisa como a Universidade Federal Rural, a Uenf, a UFF, a Pesagro, a Asflucan e outras entidades para participar deste processo de integração”, disse ainda Frederico, presidente da Coagro.
Para Frederico, o encontro representou uma oportunidade única de retomada do setor. “Trata-se de uma oportunidade única, com prioridade para essa integração visando o estímulo ao produtor, com o emprego de novas variedades, de técnicas e projetos de irrigação, agregando projetos de inovação e novas tecnologias a fim de que dentro de três anos tenhamos a concretização desta retomada”, afirmou.
Frederico lembra que o setor já contou com 12 usinas, na metade da década de 80, quando a produção era de 10 milhões de toneladas de cana. “Não temos a pretensão de moer 10 milhões como antes. Mas, pelo menos algo perto da capacidade industrial instalada”, finalizou.

O desafio de vencer a capacidade ociosa

Na avaliação do presidente da Coagro, a moagem de 1,4 milhão de toneladas diante de uma capacidade industrial de 5,5 milhões torna-se economicamente inviável.
“Hoje temos um parque industrial com capacidade instalada de 5,5 milhões de toneladas de cana, mas moendo pouco mais de 1 milhão de toneladas. Além de inviável economicamente para as usinas, o que trazem dificuldades também para o produtor, que acaba sendo prejudicado usinas capacidade ociosa serie prejuízos usinas que diante das problemas acabam repassando as dificuldades para o produtor”, concluiu.
A busca da recuperação vai de encontro à queda do preço do açúcar que, nos meses maio e junho deste ano, chegou a 17%, em pleno período da safra. “Um impacto ruim. Isso acaba afetando também o preço do álcool. Mas esperamos reverter essa situação até pelo menos entre o final deste mês e início de agosto, pois o mercado internacional influencia diretamente no mercado interno”, comentou.

Deixe uma resposta